Augusto Malta e o Rio de Janeiro antigo


Biografia de Augusto Malta

Os registros feitos do Rio de Janeiro no início do século 20 pelo fotógrafo alagoano Augusto Malta são uma verdadeira viagem pelo túnel do tempo. Para quem conhece a capital fluminense, ou pelo menos, os pontos turísticos mais famosos, visualizar cada imagem feita por Malta traz um saudosismo de um tempo não vivido.




Nascido em 14 de maio de 1864 na cidade de Mata Grande no estado de Alagoas, Augusto Malta mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1888, aos 24 anos. Na cidade, o rapaz trabalhou inicialmente no comércio de tecidos, mas foi no interesse pela fotografia que estabeleceu sua carreira. Primeiro como amador e depois como fotógrafo oficial nomeado em 1903 pela Intendência do Distrito Federal do prefeito Pereira Passos. Cargo exercido até 1936, e que após a aposentadoria, também se tornou seu passatempo. Malta continuou a fazer registros, entre eles, dos foliões em carnavais guiados por antigos carros Ford, das personalidades da época e do surgimento das primeiras favelas.



Suas fotografias em preto e branco são uma verdadeira viagem ao passado, onde ainda vivem homens com seus inseparáveis chapéus, meninos de calças curtas e descalços, mulheres de vestidos longos e cabelos sempre presos, o bondinho do bairro Estácio, os cavalos pastando em um cenário ainda rural aos pés da Igreja da Penha, o Morro do Pavãozinho ainda desabitado, a Lagoa Rodrigo de Freitas despovoada, as orlas das praias quase desertas, o Hotel Copacabana Palace cercado por terrenos vazios e construções baixas e, até mesmo, a imagem de um dirigível sobrevoando o bairro da Glória que soa quase como uma pintura de Salvador Dalí. 



Cenas que mostram um Rio em processo de modernização e figuram como memória fotográfica de valor incontestável ao lado das obras do francês Jean-Baptiste Debret que pintou imagens da rotina de um Brasil ainda colônia no século XIX.

Onde conhecer – Parte do acervo das imagens de Augusto Malta, estimado em 80 mil fotografias, está atualmente no Museu da Imagem e do Som (MIS) no Rio. No espaço estão 25 mil fotografias, 20 álbuns fotográficos com imagens selecionadas pelo próprio Augusto Malta, 1.700 negativos de vidro e 115 negativos panorâmicos. A programação do espaço e como chegar ao local podem ser consultadas no site do Museu www.mis.rj.gov.br.

No Instagram - Mas, além dos registros passados, outro trabalho que também merece destaque é o do fotógrafo Marcello Cavalcanti que registrou como estão atualmente os mesmos lugares fotografados por Malta. Cavalcanti criou o projeto Augusto Malta Revival por meio de um trabalho de manipulação digital onde uniu passado e presente em imagens que fazem uma interessante releitura do passar de um século. Algumas destas imagens podem ser acessadas no link www.instagram.com/augustomaltarevival

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