Decore um poema e colora uma vida

Decore um poema


Você sabe de cor o seu poema favorito? Aliás, você tem uma poesia especial? Se a resposta for não, meu caro ou minha cara, lamento por você! Ter versos preferidos e decorados é como colocar uma rosa vermelha em um vaso cinza. É como passar batom vermelho naqueles dias em que nos sentimos pálidos ou ganhar um abraço de quem a gente ama em um dia triste!

Recitar um poema, assim de cabeça, como diriam nossos avós, é uma grata surpresa para quem nos conhece. Experimente, no meio de uma roda de amigos, naquela reunião  em casa, recitar o Soneto de Fidelidade de Vinícius de Moraes. De um lado a mão dançando no ar, do outro, a taça de vinho que insiste teimosa em cair enquanto você diz "De tudo ao meu amor serei atento"! Eu lhe garanto: você despertará surpresa, alegria e risadas. O que mais precisamos entre amigos?

Certa vez um rapaz me disse que na família dele, um clã em que boa parte das mulheres mais velhas tinham sido professoras, era muito comum que entre almoços e risadas, uma delas se levantasse e recitasse poemas. O gesto era tão habitual, que mesmo os filhos tendo se tornado adultos e pais, sempre voltava às rodas a lembrança da tia Maria citando o Romanceiro da Inconfidência de Cecília Meireles:

"...Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda..."


E trazer poesia para nossa vida não precisa ser exatamente um ato solene.  A Literatura de Cordel cuja origem data do Renascimento, mas no Brasil, é tão comum aos nordestinos, nada mais é que transformar em rima, a vida simples do povo. 

Decorar poesias, rimas e versos acalentam corações, despertam sorrisos, e ainda, são um ótimo exercício de aprendizagem para o cérebro acomodado a duras rotinas. Hoje mesmo, no caminho para o trabalho, olhando o trânsito, lembrei de Carlos Drummond de Andrade e sorri:

"Façam completo silêncio, paralisem os negócios, 
garanto que uma flor nasceu"

Acreditem em mim: decore um poema e colora uma vida!

Leia também:
A poesia de Adélia Prado
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