Dica de livro: “As veias abertas da América Latina”


Resenha do livro "As veias abertas da América Latina"

Em maio deste ano mudei de emprego, e passei a partir de então, a fazer o trajeto até o trabalho de ônibus. Achei a oportunidade ótima para poder ler mais, principalmente, porque nos últimos meses não estava conseguindo colocar a leitura em dia, perdendo horas preciosas acessando desnecessariamente as mídias sociais.  Quem nunca, né gente?! O fato é que, em quatro meses, terminei meu quarto livro! O último deles, confesso, vinha lendo desde o ano passado e terminei agora. Afinal, trata-se da obra “As veias abertas da América Latina”, escrita pelo uruguaio Eduardo Galeano, no início da década de 1970, e que vendeu mais de um milhão de cópias. O motivo para a leitura demorada? O livro faz uma análise histórica do processo de colonização da América Latina e seus reflexos até a década de 70, quando boa parte da região era dominada pela ditadura militar. Um relato que demanda atenção, análise e releitura!

Galeano escreveu a obra quando tinha 31 anos, e em suas páginas, fez uma crítica ferrenha de como o processo de colonização da América Latina foi danoso do ponto de vista cultural, social e econômico, para os povosnativos e de quem deles descendeu. É preciso sorver toda a dureza das dominações espanholas e portuguesas – e de outros países como pano de fundo - sobre nosso território, para entender como ainda sofremos as consequências de termos sido invadidos e saqueados. Fatos são fatos. Mas, os reflexos desses momentos históricos, são também, vários outros.

Eduardo faleceu em 2015 aos 74 anos e disse, em 2014, durante uma feira literária no Brasil, que não leria a obra novamente. Declaração que causou polêmica. Imagino que na casa dos 70 e poucos anos de idade, você sempre olhará com mais crítica algo que tenha escrito aos 30. Mudanças de ponto de vista são mais que naturais! Mas, entre os vários comentários que a autocrítica de Galeano despertou, a que mais faz sentido para mim, é de que a obra depois de escrita, não diz mais respeito ao escritor, torna-se algo fora dele! E independente de opiniões de direita ou esquerda sobre “As veias abertas da América Latina”, defendo a obra do ponto de vista histórico e reflexivo. Acredito que ela deveria ser leitura obrigatória nas escolas, já que ao final de todo livro, sempre cabem a reflexão e o questionamento.
Leia e depois compartilhe a sua opinião!



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