As veias abertas da Amazônia



Quando o escritor uruguaio Eduardo Galeano escreveu o célebre livro “As veias abertas da América Latina”, em 1971, uma de suas principais denúncias era como os povos indígenas vinham sofrendo, desde o início do século 16, com a chegada dos colonizadores e suas práticas de violência, pilhagem e desrespeito às terras latinas. 

 A obra, que permanece atual, foi escrita num período em que as ditaduras militares se instalavam pelo continente latino-americano. E que a rodovia Transamazônica rasgava não só a maior floresta tropical do planeta, mas também fazia vítimas: segundo investigações da Comissão Nacional da Verdade (CNV), mais de oito mil índios foram dizimados. 

Quarenta e sete anos depois do lançamento do livro, a realidade não mudou. Indígenas continuam sendo assassinados e suas terras permanecem sendo invadidas, saqueadas e roubadas. É o que demonstra a série de imagens “Floresta de Sangue”, feitas pelo fotógrafo francês Philippe Echaroux. Com objetivo de alertar sobre o desmatamento da Amazônia e o desrespeito às terras indígenas, as fotografias mostram faces de índios projetadas nas árvores da região, reforçando a relação dos povos tradicionais com a preservação das matas. 

Os rostos são de índios da tribo Surui, que pediram a Echaroux que compartilhasse seu pedido de socorro com o resto do mundo. Localizados na terra indígena Sete de Setembro, no estado de Rondônia, esses povos denunciam que a cada dia mais de 300 caminhões de madeira ilegal saem de suas terras, o que representa 600 hectares de florestas desmatadas. “Desde o início de 2016 estamos passando por uma invasão total de madeireiras e mineradoras de diamante e ouro”, lamenta o chefe da tribo, Almir Surui Narayamoga. Denúncia que ganha força no rosto triste de cada índio refletido nas árvores da floresta. 

Confira a seguir algumas das imagens: 






Fique por dentro 

Philippe Echaroux é um fotógrafo francês, nascido em Marselha no ano de 1983. Antes de se tornar um fotógrafo profissional, Philippe trabalhou como assistente social em sua cidade natal. Em 2008, ele descobre a emoção de tirar fotos, e já no ano seguinte, Philippe ganha o "Prêmio Dior Internacional de Fotografia". Hoje Philippe é bem conhecido por seus retratos "menos de um minuto" de celebridades de todo o mundo e é considerado um dos mais jovens mestres deste ofício.  

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Matéria publicada originalmente na Revista Ecológico
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