Muhammad Yunus:o banqueiro dos pobres



A biografia de Muhammad Yunus
O ano era 1976. O cenário é Chittagong, cidade de Bangladesh. Naquela época, Muhammad Yunus, com 36 anos, começou a fazer pequenos empréstimos para pessoas pobres sem as garantias e exigências tradicionais dos bancos comerciais. Chamado de Grameen Bank, a iniciativa deu tão certo que em 1983 tornou-se um banco oficial para fornecer empréstimos aos desprovidos, principalmente mulheres, na zona rural do país.

Quarenta anos depois, o Grameen Bank tem mais de 8,4 milhões de mutuários, 97% deles mulheres, e desembolsa mais de US$ 1,5 bilhão por ano. A taxa de juros do microcrédito é de 20% ao ano (aa). Para efeito de comparação, no Brasil, a taxa de microcrédito à pessoa física pela Caixa Econômica Federal é de 35,4% aa.  

Análise monetária que mostra o motivo pelo qual a iniciativa de Yunus foi além e inspirou exemplos por todo mundo, não somente para o fomento do microcrédito, mas para o impulso dos negócios sociais e melhor desenvolvimento econômico de regiões de baixa renda. Esses feitos, inclusive, fizeram o economista ficar conhecido como “o pai do microcrédito”. Contribuição que também ajudou a reduzir o índice de pobreza no país e fizeram dele o Prêmio Nobel da Paz em 2006.

Conheça, a seguir, algumas frases marcantes do economista bengalês:

Determinação
“Tudo o que fiz foi encarar de maneira simples os problemas que se apresentavam.”

Universidade
“O isolamento da universidade sempre me irritou. Qual a utilidade do conhecimento se ele não chega às pessoas? Em Bangladesh, tínhamos pessoas morrendo de fome. Faz sentido ensinar teorias tão bonitas, das quais somos tão orgulhosos, e elas não terem o menor significado na vida de quem não pode comer?”

Negócios Sociais
“Os negócios tradicionais têm o objetivo de maximizar o lucro. São voltados para o ganho individual, para o acúmulo individual de riqueza. Não somos máquinas de fazer dinheiro. Somos mais que isso. Temos outras dimensões. Há uma dimensão que não é voltada para nós mesmos, mas para os outros, para o coletivo.”

Capitalismo
“O modelo atual do capitalismo não é suficiente para nos satisfazer como seres humanos, porque não contempla todas as nossas dimensões.”
“Tudo o que dizem é ‘faça dinheiro, seja feliz’. Mas aí você ganha us$ 1 bilhão e não faz nada pelos outros. Para que serve us$ 1 bilhão? ‘Ah, dei emprego a muita gente.’ Sim, e pegou a riqueza para você. Concentração é tudo o que você produziu.”

A história de Muhammad Yunus
Yunus e as mulheres de Bangladesh: microcrédito permitiu novas oportunidades à população mais pobre - Imagem: Reprodução

Pobreza
“As frustações, a hostilidade e a raiva geradas pela pobreza não podem garantir a paz.”
“O único lugar onde a pobreza deve existir é em museus.”
“Dar dinheiro para os pobres não é uma solução para a miséria. É uma forma de mascarar o problema.”
“A pobreza não é uma condição natural dos seres humanos, e sim, uma imposição artificial.”

Empreendedorismo
“O ser humano é cheio de poder criativo, mas o sistema o reduz a mero trabalhador, capaz de fazer trabalhos repetitivos. Isso é vergonhoso, está errado. As pessoas precisam crescer sabendo que é uma opção se tornar empregado, mas que existe a possibilidade de ser empreendedor.”
“Todo mundo nasce empreendedor. Alguns tem a chance de libertar esse potencial. Outros nunca vão ter a chance ou nunca souberam que tinham essa capacidade.”
 “O empreendedorismo é uma solução mais eficaz do que programas assistencialistas.”

Bancos
“Por que uma pessoa tem que ser digna de um banco? Os bancos é que precisam ser dignos das pessoas.”


As frases de Muhammad Yunus
Yunus em Bangladesh: negócio social deu ao empreendedor o Prêmio Nobel da Paz  - Imagem: Reprodução

Quem é ele:
Nascido em 1940 na cidade de Chittagong, Bangladesh, Muhammad recebeu, em 1965, uma bolsa para estudar economia na Universidade de Vanderbilt nos EUA, recebendo quatro anos depois o título de Ph.D.
Em 1972, o economista bengalês retorna a sua cidade natal como presidente do Departamento de Economia da Universidade, e alguns anos depois, inicia o projeto de microcrédito.
Desde 2011, Yunus está afastado do Grameen Bank, mas sua veia empreendedora permanece, se dedicando a outros negócios sociais que fundou paralelamente ao banco de microcrédito. Entre eles, uma companhia que vende painéis de energia solar de baixo custo, uma escola de enfermagem e um hospital oftalmológico. Além de também ter lançado livros sobre sua área de atuação, tal como, “O banqueiro dos pobres” da Editora Ática.

Saiba mais:

*Publicado originalmente no site da Revista Ecológico


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