Férias no (meu) interior

Em agosto tirei 15 dias de férias do trabalho. A ideia era simplesmente apertar o botão OFF do computador e das demandas diárias para relaxar a mente, e principalmente, dar um tempo para o braço esquerdo que insiste em doer pelos movimentos repetitivos causados pela rotina de ser uma jornalista. E foi o que eu fiz!
Três dias na minha casa dando aquela organizada no guarda-roupa (e no coração também, por quê não?!): separando as roupas bonitas, mas que não uso mais, aquelas que fico esperando para "algum dia, talvez", que nunca chega. Tal como certos pensamentos que a gente insiste em rememorar, como se aquela raiva ou aquele medo, tivesse serventia em alguma ocasião. Roupas e sentimentos descartados, era hora de fazer a mala (mais leve) para ir para o interior.
O interior de Minas, o interior de mim. E voltar, assim, para minha terra natal, com seus 35 mil habitantes, seus rostos conhecidos e seu tempo passando em ritmo cadenciado. E lá fui eu me aconchegar na casa onde vivi boa parte da minha vida só para ter o prazer de sentar-me na esquina de casa às 10h da manhã para tomar um solzinho gostoso de inverno e cumprimentar os vizinhos que repetem, quase como que combinados: "Cê sumiu, uai! Ta morando em Belorizonte?". E ir esticando assim uma prosa boa sobre o tempo e sobre a vida.
Férias para ter o prazer, agora tão raro, de poder dormir e acordar ao lado da minha mãe, para tomar com ela aquele café quentinho passado na hora, acompanhado de um biscoito frito que só o povo da minha família materna sabe fazer! Afinal, sabor afetivo, não se discute! 
Tirar férias para ter o prazer de dar um abraço de aniversário no meu pai, para ver a sobrinha de três anos cada dia mais esperta, e mesmo fazendo tudo isso, ainda ter o privilégio de ver as horas sobrando no relógio. 
A rua que termina para um morro ainda verde e sem casas. O velho quarto que guarda nas paredes todos os sorrisos e as lágrimas. Lugares que deixam meu coração em paz e a gastrite esquecida como se estivessem dizendo que posso me sentir segura porque tenho "asas para voar e raízes para voltar".
Verdades simples que residem nas nossas alegrias mais íntimas e que, talvez, uma viagem cruzando um oceano em busca de um país distante não me trouxessem. 
2 Comentários
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Quase estive lá com você. Palavras que nos fazem voar. Você é cronista!

Balas
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Que alegria ler seus comentários, Roberto! Fazem toda diferença pra mim! Obrigada!

Balas

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