O que eu aprendo com o outro

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Conviver com o outro é uma escola diária. Aprendemos com cada um que passa pelo nosso caminho o melhor jeito de agirmos, seja pelos bons exemplos ou não. O outro nos ensina com propósito (ou inconsciente) que as estradas percorridas por quem está do nosso lado, não serão nunca os nossos caminhos, mas tampouco nos serão indiferentes.

No silêncio do meu octogenário avô Ulisses, aprendi que observar pode ser mais valioso que falar.

Na pureza da minha sobrinha de dois anos, aprendi que olhar o mundo como se fosse a primeira vez renova as nossas forças, nossa fé e nossa esperança.

Com uma colega de trabalho, cujo pai se matou no quintal de casa quando ela ainda era apenas uma criança, e por isso, a vida foi dura, aprendi que servir o outro, pode fazer de nós seres mais dignos.

Aprendi com uma jornalista, que por mais que sua vida tenha sido desde o nascimento, abastada e segura, vale a pena olhar para ela com admiração e agradecimento.

Aprendi com uma amiga, que a vida pode ser dura e nos rodear com abandono e doença, mas ainda assim, podemos ter do nosso lado amigos que nos segurem e amparem.  

Com meus pais aprendi que trabalho e previdência não nos dão grandes surpresas na vida, mas também não nos assustam com grandes derrotas.

Com as mulheres que se divorciam, aprendi que dizer não ao outro, significa dizer sim para si. E que liberdade para amar representa viver em plenitude.

Com as pessoas que sorriem gratuitamente, entendi que elas quebram barreiras e soltam pássaros em gaiolas. Mas, que se ainda assim, elas não sensibilizarem o outro, estarão fazendo bem a si mesmas.

Aprendi que quem se dedica ao trabalho de corpo e alma, colhe frutos. Mas, há quem prefere esperar pelo grande prêmio da loteria.

E com o sexo masculino aprendi, que quando o outro fala, nem sempre é necessário responder, pois há quem precise apenas ser ouvido.

Com a figura materna, compreendi que amar basta em si. Mas, que nem sempre o amor faz de um filho alguém melhor.

E aprendi com a minha própria estrada, que equilíbrio é o meio. Não se come uma caixa de doces sozinha, porque degustar um de vez em quando, dá mais sabor (e saúde).

E assim seguimos, aprendendo e desaprendendo. Tentando, entre acertos e erros. Vendo no outro alguém que nos ensina estando apenas ali. 
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