Chuva universal




A natureza reza lá fora. Balbucia preces que escorrem como gotas nas vidraças embaçadas. Cada poça se torna, então, um milagre. Cada enxurrada que corre mansa para valas, rios e mares se torna uma benção. Unge nossas terras, nossas flores nos vasos e a nossa sede planetária

É como se a alma encontrasse o repouso, a mente o silêncio e o coração a paz, porque eu sei que cada vez que chove, o nosso corpo se aquieta e a boca se contém. É como se o barulho dela lá fora viesse para nos dizer:

"_Eu sou o eterno ir e vir de tudo. Em mim, há os milênios da Terra, o minério ancestral, a bactéria inicial caindo e subindo por rios, vapores e chuvas." 

E nós, aprisionados em nossas casas de concreto (ou vento), sucumbimos a nossa pequenez, pois se ela cai mansa, abençoa. Mas, se a chuva desaba, destrói o material que desnuda o espiritual. E nesse momento se ora, e orando a água leva, as risadas, os encontros, as mágoas e tristezas, o nosso orgulho temporal. 

Pois, a água leva e lava...Lava e leva... O meu quintal, as minhas verdades, o papel esquecido na rua e os velhos bailes de carnaval. E como a chuva que vai rua abaixo, eis a vida seguindo seu nau. 

Ai que medo dá, tudo o que me ensina essa chuva universal!
3 Comentários
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Lindo, Cris, coisa e poeta da melhor extirpe. Parabéns

Balas
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Crica, Parabéns !!!

Balas

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