A alegria do passado, o desejo do presente

Abraço de mãe é bom, ver um sorriso de uma criança também. Cheirinho de bebê, rosa entreaberta, chegar em casa depois de um dia estressante, se aconchegar nos braços de quem a gente ama, é bom também. Sentir o sol de uma manhã de inverno, viajar de avião e ver a cidade lá de cima, olhar o céu estrelado ou encontrar dinheiro esquecido no bolso da calça. Chegar ao final de um livro fantástico e começar uma nova história. Dizer adeus a um emprego sufocante, receber a notícia da gravidez de alguém, é alegria também.
Substantivo que define a vida simples, acontecendo o tempo todo, formada por pequenos pedaços de paz. O filho que tem seu primeiro dia de aula, a sobrinha que te recebe com um sorriso, o bebê que aprendeu a dizer “mamãe”. O projeto que, finalmente, terminamos e deu certo!
O sonho que dorme e acorda conosco todo dia: a casa própria, a viagem de férias, o diploma da faculdade ou seu mais novo negócio. São os bons ventos do agora tocando nossa face com a ligeireza do presente.
A oração que refrigera, o pedido atendido, o desejo que não desejamos mais. A fé que nos mantêm em pé – firmes e fortes – a sombra da árvore que não nos questiona nada. Talvez essas pequenezas não sejam o significado de felicidade, mas são os caquinhos de azulejos que usamos para construir nosso mural colorido.
Eu não sigo adiante inerte, eu só sigo adiante, porque pela estrada da vida – antes e agora – eu ainda sinto o perfume do primeiro beijo, o sorriso da primeira professora, o abraço da amiga de infância, a lágrima salgada de alívio por ter me libertado de algo que eu não queria mais.
Eu ainda sei como se brinca descalço na rua debaixo de casa e como se suja o uniforme que não tiramos quando chegamos da escola. Eu ainda sei como se chama meu primeiro amor e como chamaria meus cinco filhos. Eu ainda sei sobre tudo que me fez bem pela vida, e eu ainda sei, tudo que continua me trazendo paz.
E são por essas coisas, tão simples como a margarida no jardim, o canto do sabiá-laranjeira e a palavra amiga, que eu continuo acredito que a vida é boa!
E mesmo que o mundo queira me enlouquecer, eu volto à casa de minhas memórias e abro as janelas dos meus sonhos e sorrio para tudo aquilo que eu desejo e acredito.
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