Como terminar um relacionamento?

O celular começa a apresentar defeitos, e assim que possível, trocamos o aparelho. A roupa fica surrada, e nós logo nos convencemos que precisamos de outra. O pacote de biscoito acaba, os chinelos arrebentam, a TV pifa. Um a um vamos substituindo as coisas! Mas, não pessoas!
Por mais que pessoas tenham defeitos, elas não substituem umas as outras. São únicas, e por serem igualmente únicas, ocupam um lugar exclusivo. Talvez, por isso, é tão difícil terminar um relacionamento. Se o parceiro apresenta “defeitos”, não dá para ir à loja e pedir o modelo mais novo. O que a gente quer, e precisa, é trabalhar a questão. É enfrentar, é moldá-la, de forma que a falha do outro, se reencaixe em nossos espaços. Dá para ser diferente? É possível ceder? Eu consigo aceitar?
Em tempos, em que o consumo desenfreado envelhece coisas tão rapidamente, em que redes sociais parecem exibir uma tonelada de gente sempre “muito bem, obrigada!”, às vezes é difícil olhar para nós mesmos - com todos os nossos defeitos e limitações - e nos darmos mais uma chance! Mais uma chance para aquele que não nasceu para atender nossas expectativas, mais uma chance para o outro que é alguém diferente de mim, mais uma chance para o outro que também precisa me dar mais uma oportunidade!
Recai sobre nós, um mundo em que sempre parece mais viável desistir do outro. Enquanto que, em paralelo, somos netos de uma geração aprisionada a casamentos que duravam "até que a morte os separe".
E diante dessas divergências, nos questionamos: onde está o nosso meio termo? Onde mora nosso equilíbrio?
Obviamente, não devemos ficar num relacionamento que tem que nos arrastado por anos, nos roubando a paz e o sorriso. Mas, também não precisamos fazer as malas, todas às vezes, que nossas vontades não forem atendidas. Não vá embora por intolerância, vá embora por ter tentado.
Pois, na balança de cada um, os dois lados precisam se equilibrar. Juntos, podemos ser individuais? Eu consigo ser eu nessa relação de dois? Diariamente nos perguntando, “qual é o meu bem maior, que não consigo e nem quero abrir mão”. Tendo cada um de nós, nossas sinceras e legítimas respostas.




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