Histórias sobre o meu pai


Eu tenho um pai, cujo modelo, foi igual a maioria daqueles criados antes da década de 1970. Mais reservado, contido e sempre vigilante para corrigir - meus dois irmãos e eu - nos momentos em que  nosso comportamento não fosse, exatamente, exemplar.
Um homem que se tornou pai aos 21 anos, sem um puto no bolso, criado numa época em que demonstrações de afeto não eram comuns e que chorar era “coisa de marica”. Pois é, esse mesmo homem, me deu um forte exemplo de honestidade e trabalho. Sempre que me sinto longe de conquistar alguns sonhos, lembro que tudo o que ele tem hoje, foi fruto dos incontáveis dias e noites em que trabalhou. E isso muito me incentiva!
Além de contribuir no bom exemplo, também foi dele que herdei o dom de desenhar - e não sei exatamente como - também me incentivou a gostar de casarões velhos e antiguidades. Com ele aprendi a gostar de Raul Seixas, tocado nos tempos da minha infância, num velho toca-fitas preto. Dele também herdei o nariz e as mãos finas. E a desconfiança nata de todos nós mineiros.
Hoje, meu velho pai (que não se acha velho!), continua na sua lida. Vez ou outra eu o convido a passear na minha casa na capital, ou quem sabe visitar outras cidadezinhas por aí. Mas, ele diz que ainda tem “coisas muito importantes” para fazer! Tornou-se um avô babão de minha sobrinha e um pai que aprendeu a abraçar, não necessariamente nessa ordem! Dia desses me contou, que apesar de não largar o maldito cigarro, tem caminhado uns quilômetros e que os exames médicos sempre dizem que ele está “muito bem, obrigado!”. A dose de cachacinha tomada antes do almoço é para abrir o apetite e o boné virou parceiro constante já que ele ajuda a disfarçar a danada da calvície.
E se lhes conto tudo isso, é porque há alguns dias, tive a triste experiência de visitar um Centro de Terapia Intensiva (CTI), onde pude ver alguns pais doentes. Felizmente, o meu querido pai não era um deles! Mas, ver filhos tristes, em lágrimas, contemplando pais que parecem se despedir desse mundo, dá um aperto no peito! E lá, onde qualquer briga familiar parece tão pequena e desnecessária, é que a gente percebe que o dia a dia, às vezes nos engana, querendo nos dizer que qualquer coisa é maior que nosso amor. Mas, não é! 
Maior mesmo é o amor, desenhado nas histórias que temos para contar, de quem, que do seu jeito, tentou fazer de nós pessoas melhores.
Por isso, obrigada meu pai!



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