Feito um velho índio que voa

Matake Terany , um índio Yanomami de 70 anos, tinha um sonho: voar como um gavião. Desejo que ele realizou ao fazer um voo de parapente, com a ajuda do instrutor Rodolpho Cavalini, no início do mês de abril.
E enquanto voava sobre os montes do estado do Espírito Santo, Terany entoou uma canção na sua língua. Não é preciso ser uma poliglota para saber que aquele era um canto de alegria. Afinal, mal colocou os pés no chão, seu primeiro instinto foi dar uma gostosa gargalhada. Quando o repórter, então, perguntou o que ele havia sentido lá em cima, ele não hesitou em responder: “Foi ótimo, foi fantástico! Todo mundo deveria voar um dia!”. Sinceramente? Foi uma das cenas mais lindas que eu já vi.
Linda, porque eu concordo com Terany. Todo mundo deveria, não só voar um dia, mas se permitir a realizar os próprios desejos. Tal como meu avô que viu o mar pela primeira vez aos oitenta e poucos anos, e foi categórico ao reafirmar: “Agora, quero conhecer outras praias!”.
É do sonho que a gente se faz. Erguidos por uma estrutura corporal, sustentados por uma mente que raciocina, mas constantemente inspirados, pelos nossos sonhos.
E não interessa se são ambiciosos ou modestos, são nossas aspirações que movem nossas pernas. Ou, pelo menos, deveriam ser!
Casar de vestido branco, ter a casa própria, se alfabetizar depois de adulto, fazer um intercâmbio, ter um filho, cruzar o deserto do Atacama ou fazer aquele curso de gastronomia . Enfim, não interessa o quê! Sonhar é que o importa!
Manter-se vivo pelos nossos mais íntimos desejos, mas principalmente, lutarmos feito leões por eles! Mesmo quando o mundo parece nos calar, mesmo quando as crises são bombardeadas na televisão, e até mesmo, quando pagar o aluguel parece mesmo ser mais importante que qualquer outra coisa na vida. Talvez, seja. Mensalmente. Mas, projeto de vida é outra coisa!
Projeto de vida é você se ver daqui cinco, dez ou trinta anos, tendo feito, aquilo que era mais fundamental PARA VOCÊ!
Parece básico, parece tolo. Mas, quantos de nós andamos por aí, nos anulando na vida, deixando que a rotina nos carregue para um lugar tão longe de nós, a ponto de não mais nos reconhecermos, no final da nossa própria estrada?!
Eu quero ser como um velho índio que voa. E você?

Veja a reportagem no vídeo abaixo:



Imagem: Reprodução TV Gazeta
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