A Frida Kahlo que existe em nós

A figura da pintora mexicana Frida Kahlo nunca foi tão pop. Seu autorretrato transformou-se numa das imagens mais reproduzidas pela internet e estampas de moda. Mas, quem é essa mulher de sobrancelhas icônicas e olhar profundo? 
Nascida em 06 de julho de 1907, em Coyoacán, ao sul da Cidade do México, Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón, popularmente conhecida como Frida Kahlo, foi uma mulher a frente do seu tempo. Determinada, impetuosa, teve a vida pessoal marcada por tragédias e superações, que também determinaram seu jeito de ser, sua carreira e arte.
Aos seis anos teve poliomelite, aos 18, sofre um violento acidente de bonde em que ela é perfurada por um pára-choque que atravessa sua pélvis e sai pela vagina. Razão pela qual ela passa por várias operações e sofre com dores que a perseguiriam por toda a vida. Acamada por meses, é também nessa época que ela começa a pintar, despretensiosamente, como forma de se distrair.
É também fruto desse acidente, uma das características mais marcantes da pintora: sua forma de se vestir, com saias longas e rodadas, que escondiam suas pernas e os problemas causados pela doença e o acidente. Mas, que de forma alguma, são maiores que a própria exteriorização de sua personalidade.
Casamento - Em 1928, casa-se com o pintor muralista, e mulherengo inveterado, Diego Rivera. Uma paixão que ela levaria até o final da sua vida, marcada pelas ideias comunistas, a dedicação à pintura, além de idas e vindas, motivadas por traições dos dois lados. Mais do que isso, Frida era bissexual, e além das mulheres, também consta na lista de seus casos, um dos ícones da Revolução Russa (1917),Leon Trótski, que se refugiou na casa de Frida e Diego, durante os anos em que foi perseguido.
Situações que influenciaram fortemente as obras de Frida, muitas vezes com autorretratos surrealistas que diziam não somente sobre as dores físicas, mas também dos sentimentos, das angústias e dos sofrimentos de uma mulher apaixonada por um marido infiel – ele também a trairia com a própria irmã, Cristina Kahlo – além do fato de não ter conseguido engravidar, já que ela sofreu alguns abortos.
Mas, por que Frida é tão reverenciada? Talvez, porque mais que sua obra, originalidade e visão a frente do tempo, Frida era livre. E, apesar de ter se permitido a aventurar por outras paixões, isso não a impediu de ser como qualquer outra mulher: marcada por uma paixão sofrida, diante de uma autoimagem, muitas vezes, dolorosa e frustrada por situações trágicas e amargas.  E, quando olho, para seus retratos, sempre sérios e com um olhar, que me parece dizer, que ela sofre, Frida também traz uma mensagem colorida e subjetiva. A perfeita dualidade de nós mulheres. E, mesmo que ela tenha vivido em outra década, seus desejos, sonhos e decepções, continuam atuais e dizendo sobre a vida de muitas outras mulheres. 
E é impossível, ao conhecer um pouco mais sobre a pintora mexicana, não se questionar: qual parte de Frida Kahlo vive ou dorme em mim? O que desta mulher, eu gostaria de ter: uma blusa estampada com seu rosto, uma saia semelhante a dela, a coragem de ser livre para amar e ser amada, a vontade de seguir adiante, até esgotar-se todas as forças? Eu não sei, ainda. Apenas, compreendo, que quanto mais se sabe sobre esta mulher, mais me entendo na condição do feminino.
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Saiba mais: E, para quem deseja saber mais sobre Frida Kahlo, indico o filme Frida (2002), dirigido por Julie Taymor, e ganhador dos Oscars (2003), nas categorias: "Melhor Maquiagem" e "Melhor Trilha Sonora". A atriz Salma Hayek faz o papel principal, num longa que nos emociona do início ao final, com elementos da cultura mexicana e referências tão belas da natureza humana. Disponível no Netflix, para quem tem assinatura.
Abaixo algumas das obras de Frida:






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