O que você vai ser quando crescer?


Eu não sei exatamente quando deixamos de ser tudo aquilo que sonhamos quando éramos crianças. No presente, você não é nem modelo ou astronautaÉ só mais alguém que seguiu um rumo na vida sem - ainda - ter conquistado a tão sonhada casa com uma árvore florida no quintal, e cujo maior desejo, tem sido ter 15 minutos de soneca depois do almoço. 

No final,  sapatos bonitos, projetos estrondosos, aquele carro novo e tantas etiquetas, ficam sendo mesmo apenas coisas. E coisas nos preenchem por meia hora, no máximo! Quando olhamos para trás, sentimos saudade do filho quando ele tinha 4 anos, da amiga da 5º série que foi pega colando na prova de Ciências, do tio barrigudo que fazia truques de mágicas incríveis como esconder moedas entre os dedos! Ah com isso sim, dava para preencher um currículo de mil páginas!

_Estou lendo no seu currículo que você tem experiência em apanhar mexericas no pé?

_Sim! Quando a árvore vai ficando carregada, os galhos tombam quase até o chão e fica mais fácil para as pessoas pequenas como eu! Mas, as de cascas verde-escuras não recomendo! Estão sempre azedas. Há quem goste, porém...

_Interessante! E você tem experiência em fazer e soltar pipa? Durante cinco anos? É isso?

_Na verdade, não foi uma atividade individual. Tínhamos uma equipe muito boa! Eu coordenava o corte dos gravetos e os outros colegas o corte das sedas. Alguns traziam a linha e quando todas as pipas estavam prontas, íamos para o campinho de futebol. O melhor mês era agosto, muitos ventos! Uma correria danada. No final, ganhava mesmo o Pedro. Eu gostava de soltar pipa, mas talento mesmo era ele quem tinha!

Ah como seria bom responder entrevistas de emprego que não esperassem de você um acumulado de técnicas, mas alguém que soubesse usar a própria história para construir um trabalho que deixasse muita gente feliz!

Como também seria bom ser tudo aquilo que sonhamos um dia! Aos 15 teríamos um amor de novela, aos 18 o carro do Batman, aos 25 estaríamos em Atenas apreciando o mar azul... Em outubro, nasceria nosso primeiro filho, e em dezembro, plantaríamos um ipê-amarelo. Aos 35 uma casa no campo, aos 50 ganharíamos o primeiro lugar no campeonato de natação do bairro. Todo dia seria 1º de janeiro! E no lugar do currículo, um bom livro sobre a nossa própria história, cujo título seria: A vida que eu “escolhi” para ser feliz!


2 Comentários
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Ai, Cris! Mais um belo texto né!? Realmente, seria tão bom se a gente pudesse contar este tipo de coisa no nosso currículo ne?! Quando somos crianças as coisas são tão mais simples e pura, somos tão mais otimistas! Pena que isso passa, de certo modo...maaaaas, já que não temos outra saída, vamos seguir batalhando rsrsrsrs. Parabéns pela crônica!

Balas

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