Tia Nice e os caipiras


Minas Gerais é um dos estados, em que o povo, de origem sertaneja, tem fama de caipira. Não há mal nisso, se o sentido não fosse pejorativo! Para algumas pessoas ainda somos vistos como a personificação do Jeca Tatu, interpretado no filme de mesmo nome, pelo ator Amácio Mazzaropi.
A Nice, tia velhinha de Patrícia, que o diga! Ela saiu de Nhenhem, no norte de Minas, quando a cidade ainda era praticamente um vilarejo e não voltou. Fez a vida no Rio de Janeiro e praticamente se esqueceu da mineirice!  Hoje idosa e aposentada,  a sobrinha Patrícia acha quase uma tortura visitá-la! Não porque a tia é velha, mas sem noção!
Paty que é uma nhenhence de nascimento e coração, é de uma geração que viu a cidade chegar aos 300 mil habitantes, mas a tia por negar o passado, não consegue entender que o lugar evoluiu.
Foi assim nas últimas férias! Em julho foi com os pais visitar os parentes na capital carioca. Chegando lá, tia Nice sugeriu uma pizza para comemorar a chegada dos sobrinhos. Querendo agradar, pediu sabor bacon e não resistiu a pergunta, quando todos sentaram-se à mesa:
_Paty querida, em Nhenhem tem bacon?
_Oi?!
_Já tem bacon lá?
A moça que não acreditava na pergunta, “pensou” em mil respostas:
_Bacon??? Uauuuuuuuuuuuuuuuu! Bacon!!!!
_Nem bacon e nem Coca-cola!
_Na verdade tia Nice,os bacons vêm dos porcos e os porcos antigamente eram criados até nos quintais das casas mineiras. Portanto, os bacons “chegaram” primeiro em Nhenhem, depois no Rio de Janeiro.
Mas, respirou fundo e apenas disse:
_Sim, tia. Já sim!
Foi impossível não lembrar da infância de Paty, quando a tia Nice os fazia andar de elevador e explicava:
_Agora a porta vai fechar! Viu? E vamos sentir uma sensação de que estamos subindo; porque estamos mesmo! Não é legal? O melhor: entramos no primeiro andar e vamos sair no quinto!!!
Patrícia já havia morado num prédio de dez andares, mas a “porra”, ô quer dizer, a coitada da tia Nice, sempre se esquecia desse detalhe.  
Longos e torturantes dias passados, as férias haviam acabado e tia Nice os acompanhou até o aeroporto. Nos 40 quilômetros que separavam a casa dela do local, o pai de Patrícia quis brincar com a distância e comentou:
_Tia Nice, Rio de Janeiro é tão longe, que parece outro país!
Ela, tão didática, comentou:
_Não querido! Na verdade, Rio de Janeiro ainda está dentro do Brasil. Faz divisa com Minas, Espírito Santo e São Paulo.
Foi o fim! Patrícia jurou, de dedos cruzados, que não a visitava nunca mais. Nem no inferno!


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