De jacaré à rainha de bateria...

Minha amiga e eu no melhor estilo jacaré

Carnaval chegando... E você aí pensando quantas folias boas já teve na vida! Já foi para o interior e beijou 17 num dia... Já ficou sem grana e não foi para lugar nenhum... Ficou na sua cidade e o carnaval nem aconteceu de fato... Foi para Salvador e voltou rouca! Foi para Olinda e se apaixonou pelo rapaz que vestia o bonecão! E, finalmente, foi para o Rio e se esbaldou nos blocos de rua... Porém, todavia, entretanto... Seja sincera: já desfilou na Sapucaí? Se você não, meu bem, desculpe, mas eu já! 

Carnaval de 2010, uma amiga e eu. Evitamos comentar sobre o assunto, porque sabemos como tem gente invejosa nesse mundo! Mas, passamos pela catedral do carnaval. Verdade seja dita, foi na terça-feira às 5 horas da matina – quase quarta-feira de cinzas – por uma escola do grupo C ou D, não lembro bem! Escola de samba do grupo C ou D é o mesmo que torcer para o Maga de Santa Catarina que nunca sequer empatou um jogo! 

Tudo bem que algumas fantasias de escolas do grupo A, tal como a Mangueira, saem até por R$800.00, e a minha completa, incluindo o sapato, saiu por R$20.00. Isso de fato é irrelevante! E também não faz muita diferença, que a Sapucaí estava assim meio vazia digamos, com a presença de umas cinquenta pessoas da comunidade a qual pertencia a agremiação.

Qual o problema não é? Só porque estávamos vestidas de jacarés, terninho branco com detalhes cor-de-rosa e uma cabeça verde enorme que impedia qualquer movimento mais animado. Detalhes tão pequenos de nós dois, cantaria o rei Roberto Carlos! 

Assim como foi pequena minúcia que a letra de samba não foi decorada por ninguém da nossa ala e todos só faziam movimentos com a boca. Confesso que fiquei com pena do rapaz que organizava nosso grupo, gritando desesperado para que ficássemos em filas e cantássemos juntos a letra! Ali no meio de nós, jacarés equatorianos, irlandeses e americanos, tentando viver a experiência brasileira do carnaval na Sapucaí e uma pequena porção de gente na plateia sem entender o que era aquela ala de répteis confusos!

Eu, que nesse momento nem mais podia olhar para a plateia com medo da minha cabeçona verde despencar pela avenida, mal mexia os dedinhos e só pedia a Deus para chegar ao final. O que aconteceu, creio eu, somente na Semana Santa, pelo tanto que demorou! 

Final da Sapucaí, fantasia despida, missão cumprida, fui para a casa de minha amiga no bairro de Laranjeiras, resgatar o que tinha sobrado daqueles dias de folia! E sabendo eu, que muita princesa já foi plebeia e que rainha de bateria termina na ala das baianas, a única coisa que importa nessa vida, é o humor e as boas histórias para contar, seja pela Mangueira ou pela Unidos do Jacarezinho! Tenho dito.
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