O cachorro e o namorado



Histórias sobre pinscher

Ricardo namorava Amanda! Uma moça inteligente e simpática. Ela "parecia" ser a mulher perfeita! Mas, só parecia!

O fato é que durante os três primeiros meses de namoro, Amanda não havia mencionado que a família dela gostava de cachorros, enquanto Ricardo os odiava. E muito menos disse ao namorado que sua família tinha em casa um pinscher. Uma raça que o rapaz sempre se referia como "aqueles cachorros pequenos, barulhentos e nervosinhos"!

Mas, como não falaram sobre o assunto antes, Ricardo só descobriu  o pequeno detalhe de quatro patas, chamado Petí, quando foi conhecer a família da namorada. Mal entrou na casa  e o bendito do cachorro já estava latindo e puxando a barra da calça nova que ele tinha acabado de comprar.

Como era a primeira vez na casa dos sogros, o jeito foi forçar um sorriso amarelo e dizer com falsa simpatia:

_Ah, vocês têm um cachorro. Que “ótimo”!

A família que não percebeu a ironia, incentivou a amizade do bichinho com o novo namorado e fez questão de colocar Petí no colo de Ricardo.

Durante os meses que se seguiram, Petí sempre recebia Ricardo com muitos latidos e mordidinhas de dentes pontudos. Vez ou outra, Ricardo dava uns chutezinhos escondidos no animal para que ele ficasse quieto, mas Petí inocente, achava que era brincadeira e mordia ainda mais a calça dele. De cada cinco calças de Ricardo, quatro tinham as barras furadas!

A sogra, feliz da vida, fazia questão de dizer para todo mundo, que Ricardo era tão bom moço, que até de Petí ele gostava. E que o bichinho, também o adorava! 

Amizade que para a sogra era característica fundamental para ser um bom genro, já que ela gostava mais do cachorro do que do próprio marido. Chamava o bicho de filhinho e fazia questão de sempre enfeitá-lo com gravatinhas borboletas coloridas. 

Quando Ricardo chegava e via Petí de gravata, abaixava, botava a mão no cachorrinho e dizia baixinho:

_ Você está o verdadeiro capetinha com esse laço no pescoço! Mais feio impossível!

Petí, pobrezinho, latia de alegria sem entender absolutamente nada. Amizade que corria "muito bem, obrigado!", até um fatídico dia.

Em uma segunda-feira daquelas, após o final do expediente, Ricardo resolveu fazer uma visita à namorada. Cansado do trabalho, com toda intimidade de genro bem-vindo, abriu a porta da sala e se jogou no sofá com seus 90 e poucos quilos.

Mas, assim que sentou, escutou um CREC! Já supondo o que tinha feito, imediatamente levantou-se. E lá estava Petí, com pouco mais de dois quilos, esmagado, com os olhos arregalados e a língua para fora. Uma cena horrível, que a namorada, lá da cozinha percebeu:

_Meu Deussssss! Você matou o Petí! Ai e agora?! Minha mãe vai te matar!
_Calma! Calma! Ela não precisa saber que fui eu...

E sem pensar duas vezes, arremessou o cãozinho morto pela janela do 5º andar, sem sequer olhar para baixo. Aliviado, bateu as mãos uma na outra, como quem diz "serviço feito" e olhou para a namorada, que em estado de choque, não conseguiu pronunciar uma palavra.

Poucos minutos depois, ainda tentando acalmar a amada, chega a sogra com o cadaverzinho de Petí nas mãos, em prantos:

_Ai meu Deus! Eu estava chegando em casa quando vi o Petí caindo. Ele pulou da janela! Ele morreu... Ele morreuuuuu!!!

Enquanto a filha de um lado chorava, sem coragem de culpar o namorado, a sogra, do outro, se descabelava.

Indiferente à cena, Ricardo concluía:
_Êta que hoje é meu dia de sorte!

5 Comentários
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kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk adorei

Priscila Freitas

Balas
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E é real mesmo, gente! Muito bom Dona Cris!

Balas
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Gente, achei que isso fosse coisa de filme!!! Eu terminava com a criatura na hora, pois imagine o que faria com um filho hiperativo!

Balas
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Cris, tudo bem?
Tem um selinho em 'Sinais de Mim' pra você!
Besos,
TL. ;-)

Balas
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Cris, como sempre...mto boa sua crônica! rs

Balas

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