A primeira vez



Tudo na vida tem a primeira vez!
O primeiro passinho, a primeira palavra, o primeiro beijo, namorado e muito comumente hoje em dia, o primeiro marido e virá o segundo, terceiro, etc,etc
Pois bem! Voltando a primeira... Há alguns dias fui pela primeira vez a uma delegacia no intuito de registrar um boletim de ocorrência! B.O para os íntimos, e não OB como pensam alguns desavisados... A diferença crucial é que o B.O é para se mostrar e o OB para se esconder!
Enfim, procurei pelo tal registro, depois de descobrir que tive meu cartão bancário clonado e uma conta raspada! Logo procurei o banco, meu pai, os santos e finalmente, uma delegacia.
Na delegacia descubro que não existia senhas de atendimento e cada um se colocava num lugar observando quem havia chegado primeiro pra ser atendido!
Ao meu lado uma moça, atrás dois homens, um que ouvia no fone algo como Calypso... Diga-se de passagem, o fone seria desnecessário, pois qualquer um conseguia ouvir a música!
E no fundo da sala, mais três homens....
Reinava uma passividade no lugar, que eu julgo imprópria para um local onde se registra B.O! Todo mundo com uma cara de que não estava ali para aquilo e ninguém parecia ter sido lesado em alguma coisa!
No atendimento, dois policiais literalmente à paisana, já que eles só andavam de um lado para outro batendo papos longos e humorados com duas atendentes igualmente falantes e bem humoradas! Entusiasmavam-se tanto na conversa, que deixavam "os em busca de B.O" esperando...esperando...esperando...
Quase 40 minutos depois, eu ainda na espera, percebo que o infeliz atrás de mim ainda ouvia o mesmo toque de Calypso! Não havia música ou letra, somente uma batida redundante! Insistente...
O que aconteceria se eu voasse no pescoço dele em plena delegacia?! Rolaríamos no chão, eu daria umas bifas nele e os dois policiais à paisana correriam em nossa direção puxando cada qual para um canto. Logo, eu seria tema de B.O como acusada (se assim pode se chamar!) e aproveitaria a deixa da atenção concedida: Aproveitando que já estamos aqui, por favor, quero registrar uma ocorrência!
Mas, resolvi usar o lado zen budista e não me atracar com ninguém, apesar do toque calypso ressoante!
As pessoas foram sendo atendidas, o chato do fone de ouvido foi embora...
E antes de mim, somente um senhor, humildemente vestido, dando a ideia de ser um pedreiro já que tinhas as calças sujas de cimento.
Não entendi muito bem a questão dele, mas a atendente conversava alegremente com este senhor, dizendo em voz bem alta! Ele então contou que trabalhava numa casa que tinha TV no banheiro, maior do que a que ele tinha na sala da própria casa e que não sabia bem porque uma pessoa tinha TV no banho! No que o policial à paisana, concordou!
Isso logo me intrigou: se alguém tem uma TV no banheiro e eu não, é motivo para B.O?? Devo registrar B.O porque uso descarga de cordinha enquanto alguns apenas apertam um botãozinho silencioso no vaso?
Essas questões literalmente privadas devem ser denunciadas?
_P R Ó X I M O !
Uma voz interrompe meus filósofos pensamentos.
Foi então, que falei do golpe que havia sofrido e o policial de lá responde:
_Não se preocupe! Isso já aconteceu comigo. O banco vai te ressarcir!
E a atendente:
_Não posso registrar nada enquanto você não souber de qual local foi sacado seu dinheiro. E também não estamos imprimindo o boletim! Quando você registrar a ocorrência, lhe informarei um outro local para buscar a impressão!
Nada melhor que ouvir palavras "reconfortantes" em momentos de primeira vez! É como alguém perguntar: "Foi bom pra você?", e com alguma indiferença, acender um cigarrinho.
Voltei para casa, sem B.O, sem meu dinheiro e aguardando a segunda vez, já que sabemos, a primeira é inesquecível, mas a segunda é sempre a melhor!
2 Comentários
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E na segunda tentativa, o dinheiro voltou rsrs

Balas
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Adorei!!! cada dia mais aprimorando seu talento crônico.kkkk

Balas

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