Porque não havia...


Fui amada por um homem gentil e inteligente, que me enviava cartões, cujos textos eram suaves e escritos especialmente para mim. Era como se cada coisa que eu dissesse fosse gravada: dias passados ele se lembrava - com carinho - de todos aqueles impropérios que eu dizia, das minhas manhas e crendices.
E sentia, como se envolta de mim, uma teia elaborada de mimos fosse costurada com esmo. Quando me deixava em casa eu tinha certeza que ele era daqueles homens que iam embora para casa, deitavam a cabeça no travesseiro e planejam uma vida junto conosco.
Citava poesias, me irritava com suas indecisões, me prendia num abraço quase sufocante...
Atrasava para me buscar, mas sempre me levava onde eu escolhia...E quando era ele o anfitrião, escolhia a dedo, o local onde eu pudesse comentar sobre os quadros nas paredes, as pessoas que estavam em volta e o garçom atarefado.
Pois bem, ele me amava tanto, mas tanto, que eu mesmo nunca o amei! Não porque não era bom, mas porque não havia paixão!
Talvez assim foi, porque o desejo maior em relação ao outro, é ter uma pequena dúvida nos roendo o coração, nos pedindo uma conquista trivial, irrelevante, mas necessária!
1 Comentários
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Era exatamente isso que queria dizer amiga...

Balas

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