Amor e mangas maduras

Adulta, pensando em como era difícil amar alguém, lembrou se da infância.
Quando criança, ia para a casa da avó no sítio. Era o momento de colocar os pés na terra, de rolar no capim seco, de ver o avô tirar o leite das vacas...
Em algum mês do ano que não se lembrava, era época de mangas e as várias mangueiras da roça ficavam carregadas. Tinham de todo tipo, tamanhos e formas... A molecada embaixo de cada uma delas passava a tarde inteira lá, entre galhos e moscas.
Ela subia no galho mais baixo, pois era medrosa, e puxava uma manga-coquinho... Sua preferida! A fruta era pequena, tinha a casca verde com uns riscos pretos e para comê-la era necessário puxar a casca em filetes... Dentro muitos fios e um sabor doce! Lambuzava-se com várias! Comia muitas e ficava com a boca amarelada... Entre os dentes os fiapos da fruta! Afinal, para ela, comer manga era bom no pé e se lambuzando... Essa coisa de usar faca para fatiá-la não tinha graça nenhuma!
Fartava-se com as mangas, a meninada jogava caroços uns nos outros e ela ficava lá algum tempo, satisfeita, com a boca amarela e os dentes sujos, que não impediam que ela desse muitas, muitas risadas...Era momento de fartura, alegria, intensidade!
Como devia ser o amor na vida dela... Queria alguém para se fartar, lambuzar, sujar a boca e os dentes... Sair cansada de tanta satisfação! Afinal, manga assim como o amor, não se come em fatias, mas com voracidade e desejo.
2 Comentários
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Olá amiga!!
Ótima essas suas histórias. Comecei a ler e me peguei sorrindo, pois lembrei da minha infância comendo manga...quiz dizer, até hoje.
Porém, subia no pé de manga e queria chegar até os galhos mais altos....divertia muito.
Boa semana..beijos.

Balas
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nossa...amei!!!
eh tmpo bom esse viu...
me lambussando no pe de manga haha...
tempo bom que nao volta mais neh....
Perfeita as suas historias!!!
bjus

Balas

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