Dorzinha coletiva

Se eu fosse a única nesse mundo a sofrer por amor... seria mais fácil! A minha dor seria mais digna, mais bonita e mais intensa. Seria só eu! Mas, quando olho em volta tem muita gente deixando uma dorzinha de amor ingrato escapar... Não só mulheres, mas homens. Dia desses num show do Vander Lee, no momento em que ele cantava “românticos são uma espécie em extinção” me deparo com um belo rapaz se desfazendo em lágrimas. Fiquei chocada! Abraçava os amigos e se debulhava. Intrigada com a cena, o rapaz então se aproximou e me disse: “Terminei um namoro há dois meses e ela adorava os shows do Vander Lee” E olhando bem nos meus olhos deixou outra lágrima atrevida descer... Por um momento achei que aquilo era piada! Mas, não... Ele chorou mais um pouco e foi levado pelos amigos.
Então fiquei pensando que não há nada mais sábio nesse mundo do que um amor perdido. É como olhar no espelho e ouvir a mais pura realidade deste mundo: tudo que chega vai! A sua roupa preferida, uma paixão avassaladora, a amiga que mora ao lado, o beijo apaixonado...
E quer saber? Fico muito feliz por isso! Por ter ido embora as coisas, mas por elas terem sido minhas, bem minhas, em um momento. Isso existiu, valeu a pena! E a dorzinha de amor, nada mais é que um ciúme bobo do tempo passado, daquilo que escorreu pelos dedos como água que lava. E lava tanto, e tão bem, que uma hora, ah sim... uma hora, você só sabe dizer que foi bom.
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