Paulão e os pênis de borracha

Paulão era uma mula.
Não, não. Não no sentido de ser ignorante ou um termo parecido. Paulão era mula, o tipo que viajava aos EUA umas duas vezes durante a semana para trazer muamba. Naqueles tempos em que jogar aviões em torres, era cena de ficção, Paulão trazia tudo lá da terra do tio Sam. Celulares, bonecas, peças de computador, roupas, óculos e, teve uma vez, que trouxe uns 30 pênis de borracha. Sim, ele cruzou os ares carregando réplicas do aparelho sexual masculino, para ser mais didática.
Entre tantos pedidos que recebia, certa vez foi procurado por uma dona de sex shop que deixou com ele uma listinha onde constavam as seguintes solicitações:
1. Pênis negro tamanho GG
2. Pênis nipônico tamanho único
3. Pênis duas cabeças
4. Pênis rosa
5. Pênis albino
6. Pênis com espinhos (para os sados-masoquistas!)
7. Pênis 30 centímetros (lembre-se lá é polegada)
8. Pênis 10 centímetros (para iniciantes na arte sexual)
9. Pênis vibradores (vibração 5, 10 e 50)

Chegando aos States, Paulão foi a busca da encomenda. Na loja, ficou dividido entre um idioma meia boca e a dúvida entre os centímetros do Brasil e a polegada americana:
_ No, no!
E fazia sinal de dois palmos para que a vendedora entendesse o tamanho que ele queria.
Resolvido os problemas, encheu a mochila com quase 30 pênis de toda espécie.
Partiu para o Brasil e ao aterrissar no RJ, caminhou receoso para Alfândega. Ele que trouxe a mochila como bagagem de mão, sentiu um frio na barriga quando o aparelho da fiscalização apontou uma irregularidade.
De repente, caminhou em sua direção uma mulher, que lhe pediu educadamente:
_Por favor, senhor, abra a mochila.
Ele abriu.
A mulher do lado de lá foi tirando todos os pênis que ela já mais ousou imaginar na vida. Desesperadamente séria, olhou para Paulão, um sujeito moreno, forte e pançudo, que não tinha o menor traço afeminado.
Ao lado dela, três colegas da Alfândega se afastaram alguns metros, para rir a vontade daquela situação. Um deles apenas disse:
_ Resolva a situação Abigail!
Então Abigail olhou para Paulão e fez a pergunta básica:
_ O que é isso, senhor?
Paulão engoliu a masculinidade e disse:
_ É para uma festinha na minha casa. São para uso pessoal!
Abigail com um sorriso irônico pensou em segundos o que aquele sujeito aprontaria com tantos pênis, mas ponderou:
_ Como o senhor faz isso comigo? Se eu te libero, posso ter problemas, se não te libero, meus colegas de trabalho ali vão dizer que eu prendi o pinto! O que eu vou fazer?
Paulão que sentiu a dama mais leve, insistiu:
_ Ô Abigail, libera aí pra mim Abigail. Eu vou usar lá em casa numa festinha de Halloween.
_ Cada uma que me aparece! Coloca isso na mochila e vai embora fazer sua festinha.
Paulão encheu a mochila novamente, olhou para rapaziada da Alfândega e deu uma piscadela.
Em Belo Horizonte, comentou com a cliente:
_ Esta pintaiada me custou a honra!
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