Minha vida em Marte, um filme sobre o valor da amizade

resenha-filme-minha-vida-em-marte
Foto: Divulgação
Em cartaz nos cinemas de todo o Brasil, nessas férias de janeiro, o filme “Minha vida em Marte”, protagonizado pelos atores Paulo Gustavo e Mônica Martelli, é uma sequência de “Os homens são de Marte... E é pra lá que eu vou”, estrelado em 2014.

Mas, é preciso dizer que a sequência desse ano, supera o primeiro longa não somente no quesito boas risadas, mas também em temas a serem refletidos. Afinal, as comédias também são um excelente momento para pensarmos sobre situações que, às vezes, soam tão convencionais, mas no fundo, são bem ridículas. Uma delas, vivenciada por muitas mulheres na vida real, diz respeito à procura do tal príncipe encantado e os riscos emocionais que se corre ao embarcar nessa busca de forma impensada.

E se no primeiro filme, Fernanda, personagem de Martelli, vive várias aventuras buscando a alma gêmea, no segundo longa, ela vive a crise provocada pela rotina no casamento e o apoio incondicional do amigo Aníbal, vivido por Paulo Gustavo.  E aí está o X da questão: “Minha vida em Marte” não é uma comédia sobre um casal, mas a história de dois amigos que estão juntos: na alegria e na tristeza, vivendo uma relação que não se esgota.
resenha-filme-minha-vida-em-marte
Foto: Ique Esteves / Divulgação
As cenas hilárias, que infelizmente não posso descrever para não fazer spoiler, mostram como a vida é mais leve ao lado de um bom amigo ou uma boa amiga! As dores de cotovelo, as lamúrias, os convites indesejados, que só mesmo um amigo de verdade aceita, e as cobranças da sociedade que acabam sofrendo alguma influência nos nossos comportamentos, são o enredo da dupla principal. Além de doses extras de sinceridade, capacidade de rir de si mesmo e o cuidado um com o outro, demonstrados de forma cômica!   

No final, você sai do cinema leve e com uma convicção: um amigo de verdade pode ser o melhor e mais longo de todos os casamentos! E você, já encontrou o seu amigo-alma-gêmea ou sua amiga-alma-gêmea?

Vale reforçar que: em uma sociedade em que tudo é consumido e descartado com rapidez, manter os amigos por perto, é receita – cientificamente eficaz – contra a tristeza e os males da depressão.

Fique por dentro:
“Minha vida em Marte” estreou nos cinemas do Brasil no dia 25 de dezembro e já contabiliza um público de quatro milhões de pessoas.

Assista ao trailer oficial de “Minha vida em Marte”:




Vinte trechos de músicas do Skank



trechos de músicas do Skank

Quem nunca cantou, um trecho que seja, de uma música do Skank? A banda mineira, nascida em Belo Horizonte no ano de 1991, que emplacou – e ainda emplaca - sucessos tocados em várias rádios do País. Entre eles, Garota Nacional, com o famoso “vestidinho preto indefectível”, “bola na trave não altera o placar” de É uma partida de futebol, e o mais recente sucesso com a música Algo parecido, uma gostosa balada romântica lançada em 2018. Ano em que o Skank também lançou o EP "Skank, Os Três Primeiros” que revisita os sucessos dos primeiros CDs e teve o seu DVD gravado durante show realizado no Circo Voador no Rio de Janeiro.

Formada pelos músicos Samuel Rosa (voz e guitarra), Haroldo Ferretti (bateria), Henrique Portugal (teclados) e Lelo Zaneti (baixo), a banda já vendeu, ao longo da sua carreira, mais de 5,5 milhões de discos. Número bem sucedido graças ao talento dos integrantes, mas também das parcerias bem sucedidas em composições feitas por Rosa com Nando Reis e Chico Amaral, por exemplo. Vale também citar que o Skank também é mestre em fazer regravações de sucessos com novas pegadas. Porém, mais do que os sucessos antigos, o conjunto também tem conseguido se reinventar e provou que consegue acompanhar com sabedoria a presença na web, via redes sociais, plataformas de vídeos e em aplicativos de música como Spotify e Deezer.

Eu sou fã da banda desde a adolescência e fui o tipo de garota que guardava os recortes das reportagens em uma pasta de plástico com capa preta e escrevia as letras das canções na última folha do caderno de escola. Afinal, atire a primeira pedra quem não tem a sua banda preferida? Por isso, separei aqui vinte trechos de músicas do Skank para você curtir, refletir e – quem sabe? - se apaixonar! 

Confira:

trechos de músicas do Skank


1. Gentil Loucura
Deixe que eu respire o ar livre da rua
Sem parar pra discutir
Deixe que eu passeie minha loucura
Gentilmente por aí

2. In(Dig)Nação
A nossa indignação
É uma mosca sem asas
Não ultrapassa as janelas
De nossas casas

3. O beijo e a reza
Me dá um beijo, que o beijo é uma reza pro marujo que se preza

4. Pacato Cidadão
Pra que tanta TV
Tanto tempo pra perder
Qualquer coisa que se queira
Saber querer

5. Te Ver
Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível

6. Eu disse a ela
Eu disse a ela
Que o amor morreu
A cidade sutilmente
Estremeceu

7.Tão seu
Que culpa a gente tem de ser feliz?
Que culpa a gente tem, meu bem?
O mundo bem diante do nariz
Feliz agora e não além

8. Resposta
Em paz eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante

9. Romance Noir
Como também não vou pensar
Que o amor tem seus próprios fios
A chuva desce com trovões
E da janela observo a fiação

10. Formato Mínimo
Começou de súbito
A festa estava mesmo ótima
Ela procurava um príncipe
Ele procurava a próxima

11. Sutilmente
E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste

12. Ainda gosto dela
E eu ainda penso nela
Mas ela já não pensa mais em mim
Eu vou deixar a porta aberta
Pra que ela entre e traga a sua luz

13. Esquecimento
Não sei porque você
Insiste em demorar
Eu quero que você
Diga já

14. Alexia
Chove chuva, molha o chão
Nuvem, samba do avião
Ela vai jogar

15. De repente
Olhei
Não vi ela há muito tempo, há quanto tempo faz
Nem me lembro mais, então
Porque,
Ainda aquele tempo dentro entra e sai,
Volta vem e vai
Sem acabar

16. Balada do amor inabalável
É força antiga do espírito
Virando convivência
De amizade apaixonada
Sonho, sexo, paixão
Vontade gêmea de ficar
E não pensar em nada

17. Mil acasos
Quem sabe, então, por um acaso
Perdido no tempo ou no espaço
Seus passos queiram se juntar aos meus
Seus braços queiram se juntar aos meus

18. Amores imperfeitos
Mentira se eu disser
Que não penso mais em você
E quantas páginas o amor já mereceu
Os filósofos não dizem nada
Que eu não possa dizer

19. Dois rios
Que os braços sentem
E os olhos veem
E os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

20. Jackie Tequila
E se não for, já foi
O bonde do desejo segue rumo
Caixa, bumbo e sexo
Saudade na rampa do mundo


Imagens: Divulgação/Canais oficiais

mailto:cristiane@cronicasironicas.com.br

A vida é trivial e sem filtros



Texto sobre a beleza do cotidiano

O bonito da vida é trivial, por mais que as fotos do Instagram nos digam o contrário! Não vivemos nas fotografias, pedaços de uma colcha de retalhos cujos tecidos completos, às vezes, estavam puídos. Mas, vivemos sim, o tempo todo, no relógio que nos desperta na hora x, na roupa que se estende no varal, no cochilo após o almoço, na testa suada do filho que dorme como um anjo num dia quente!

A vida tem beleza porque ela não é a cena principal do nosso filme preferido, é plano-sequência entre o escovar de dentes e o próximo beijo na boca. É tudo aquilo que fazemos entre o primeiro e o último ato. Afinal, o motorhome que nos leva pelas estradas do mundo, também necessita de motorista e pratos limpos, para que possamos – com energia – apreciar as paisagens.

O trivial é a costura de ponto firme do vestido que bordamos pelos dias da vida! No trivial, dormem os casais idosos que se amam e os jovens apaixonados que arrepiam a pele quando se tocam. No hábito corriqueiro, os cadernos, encapados com capricho, são colocados nas mochilas dos filhos pequenos e a bênção solicitada aos avós é dada intuitivamente. Os vestidos de festas e os ternos especiais, cujos valores são divididos e pagos com diligência, passam mais tempo em nossos guarda-roupas do que em nossos corpos, dos quais as formas já estão impressas no nosso bom e velho moletom usado apenas para ficar em casa.

É claro que temos nossos dias requintados com bailes e taças de champanhe! De chapéus de palha com abas largas deitados em cadeiras de frente para o mar... Mas, temos o nosso dia a dia: tão simples e precioso em que se costuram as melhores memórias. O cotidiano com cheiro de biscoito-frito e café feito na hora fluindo pela casa, da borboleta azul que passeia pela estrada enquanto seguimos de ônibus para algum lugar, ou quem sabe, dos velhos pratos de porcelana riscados pelas inúmeras refeições saboreadas.  Moramos no nosso cotidiano, com as nossas tristezas, alegrias, medos e sonhos. Despidos de roupas caras e selfies perfeitos. No comum, sendo somente o que somos: sem glamour, mas com a louvável necessidade de nos amarmos sem filtros!  

Mais de trinta


A noite passada, eu acordei no meio da madrugada e me lembrei: amanhã faço 37 anos! Deu um medo danado como se - do nada - alguém tivesse me revelado o segredo da vida: não somos perfeitos, não estamos imunes ao tempo e nem à morte. Naturalmente, e sem a gente perceber, certas coisas batem à porta de todos nós! Mas, diante do inevitável, olhei-me no espelho e senti orgulho: da mulher que me tornei até aqui e daquela que continua sendo um pouco diferente a cada dia: às vezes melhor, às vezes pior! E o fato é que, enquanto nos queixamos das aparências, desesperados por manter aquilo que não nos pertence ou sofrendo por algo que não nos importa de verdade, e muito menos, desejamos um dia ser ou ter, a vida segue...


Segue como se fosse uma senhora belíssima e sábia, que por vezes, para nos despertar, nos chacoalha com requintes cruéis. Se não estou nesse momento presente, ele não se repete. Se não peço desculpas, talvez, amanhã não conseguirei mais. Se reclamo e persigo diariamente aquilo que não tenho hoje, de fato, nem o hoje eu terei. As marés levam as folhas secas, assim como o “destino” leva quem não quer remar!


Então, talvez seja isso: todo cambia de forma que nada nos pertence, a não ser a leveza que carregamos dentro de nós mesmos. A leveza de viver o agora, de abraçar, do olho no olho, a leveza da experiência que deve ser vivida, mesmo que às vezes, amarga. Afinal, as dores, assim como as alegrias, também são bênçãos do aprendizado.


E eu sinto, então, gratidão! Pelo amadurecimento sempre bem-vindo, pelas descobertas do meu ser, por ter caminhado até aqui, tendo o privilégio da vida, que me mostrou, em um único ano, como todos podem partir: com avisos e malas prontas ou com despedidas disfarçadas de “Até breve!” que nem sequer sabemos em quais dias foram...


Por isso, é urgente nos desprendermos das amarras e de rótulos que, definitivamente, não condizem com o nosso conteúdo! Nesse agora, é importante preencher comportamentos que esperam de nós ou nos preencher com o que somos nós? Ser a idade ou ser você?



Um raio de sol na parede do ser

texto crônica raio de sol na parede


Quando um raio de sol atravessa a janela e risca, discreto, a parede esquerda do quarto, eu sinto como se Deus me tocasse com a ponta dos dedos. Repouso  meus olhos sobre aquele pedaço iluminado como quem descobre, perplexa, como é pequena diante de tudo. O sol, tão imenso, fragmentado dentro da casa de cinco cômodos ou da mansão à beira mar, secando com o mesmo empenho a pétala da orquídea rara e as folhas da erva daninha que crescem resistentes no buraco da calçada. O mesmo sol que nasce no Sudão e no Canadá e que queima a pele de russos e argentinos. Esse astro agigantado, e ao mesmo tempo, fragmentado... Bem ali, se exibindo na parede da minha casa.

Então, corro os dedos sobre o risco luminoso e sinto o craquelar da parede e o calor em minhas mãos. Sinto-me viva e com desejo de viver! Tenho vontade de caminhar por estradas rurais e mergulhar em águas mornas. São tantas as vontades e são tantos os sonhos vindos por essa luz! Mas, quando dou por mim, a claridade recua, certamente se embrenhando em outras paredes. Talvez, um homem distraído não perceba e uma mulher ocupada não dê valor, mas uma criança certamente a notará! Irá meter o rostinho negro diante do raio de sol na parede e gritar:

_Olha, mãe!!

E a mãe sorrirá, mas sem prestar muita atenção.

E então, o mesmo raio de sol irá sair dali também. Mas, se alguém cruzar a rua ou caminhar até um mirante, irá vê-lo imenso e alaranjado no final de uma tarde de primavera. A mesma luz frágil da parede se exibindo grandiosa no céu, falando sobre as pequenezas do nosso ser diante do Universo.

Imagem: Pixabay

Novos sentimentos



Com alegria e espanto, tornou-se avó. Era uma tarde quente de setembro em que o vapor do asfalto subia, enquanto os carros buzinavam. O mundo estava exatamente igual: caótico, perturbado e incongruente. Mas, quando ela pisou no quarto da maternidade e viu a sua menina com um bebê nos braços, o relógio parou. Ali, avó, mãe e filha, tinham o seu primeiro encontro juntas. Três gerações de mulheres parando o tempo insano. A mão da mulher mais velha, já colorida pelas manchas causadas pelo sol, acariciou o braço da filha que se tornava mãe de primeira viagem.

As palavras não foram necessárias, enquanto os cabelinhos pretos, a boquinha fazendo bico e os olhos, ainda cerrados e preguiçosos do bebezinho, calavam o mundo lá fora. Tudo estava resolvido naquele momento: Aurora havia nascido. E com Aurora, uma mãe. E com a mãe, uma avó.

E sendo avó, despediu-se da filha e da neta, salientando que as encontraria em casa para lhes prestar apoio familiar nos primeiros dias. Ao atravessar a porta da maternidade rumo à rua, sentiu que também atravessava outra porta: a da própria vida, como se selasse um antes e um depois sobre algo que ela não conseguia descrever, mas fazia seu coração bater com força.

O rostinho da neta a levou para as lembranças do rosto da filha quando nasceu, e percebeu assim, que mais de trinta anos tinham passado. Já era uma mulher plena, mas ainda ansiava por coisas de três décadas passadas. Era como desenrolar o fio da vida: a idade apontando que ela se aproximava dos 60 anos, mas a sua mente não. Seu corpo, mesmo que assumindo um ritmo mais lento, permanecia aberto aos desejos. Sua maturidade coordenava com maestria seu andar, suas palavras, seu modo de vestir, agir e trabalhar. 

A chegada da neta parecia ornar com um belo quadro, a sala de estar decorada com sofá claro, almofadas coloridas e uma zamioculca sempre viçosa. Tudo soava em paz porque a vinda de Aurora reafirmava o prazer de estar viva: não mais uma jovem cheia de sonhos, não mais uma mãe ainda em dúvidas sobre a maternidade, não mais uma mulher buscando seu lugar... Agora ela era a avó da pequena Aurora, sorrindo para um mundo em que ela se via ainda mais completa. 

Da gratidão, nasciam três certezas: permanecer cuidando de si mesma, estar aberta aos novos aprendizados e sentir-se livre para sempre recomeçar.

Imagem: Pixabay





Apertem os cintos, o crush chegou



Era um domingo frio, já no final do dia, quando ela embarcou em um voo para Campinas. Munida de sua pequena mala para dar conta dos próximos três dias de trabalho na cidade paulista, seguiu o ritual. Sentou-se próxima à janela, como quem não tivesse medo de avião, colocou o cinto de segurança, mesmo sabendo que a aeronave demoraria a decolar. “Por garantia!”, pensou.

Quando já havia acabado de se acomodar, um rapaz moreno de olhos castanho-claros e cabelos caídos na testa, sentou-se ao lado dela. Com um sorriso largo de dentes brancos e alinhados, apressou-se em dizer:

_Boa tarde!

_Boa tarde!_respondeu a outra intimidada pela beleza do moço.

Os passageiros tinham acabado de se acomodar e as aeromoças davam as instruções de segurança, quando o moreno com cara de galã italiano, se apresentou:

_Meu nome é Pedro. E o seu?

_Carolina.

_Muito prazer!

_Igualmente.

A aeronave iniciava a decolagem, quando Pedro disse em tom de confessionário:
_Carolina, eu tenho medo de avião!_disse, deslocando o corpo um pouco mais para o lado dela.

_Jura?! Eu também_respondeu aliviada.

_Você se importaria se eu pegasse na sua mão? Eu vou ficar mais calmo!_questionou o moço a olhando quase com piedade.

_Sem problemas..._respondeu Carolina com um fiozinho de voz preso entre a satisfação e a vontade de rir.

O rapaz então botou a mão sobre a dela, apertou-a com suavidade e agradeceu com um outro sorriso mais bonito que o primeiro. Ela olhou a cena intimidada, achando a situação um pouco cômica. 

Durante o voo, conversaram sobre os motivos da viagem, emprego – o rapaz iria embora em breve para outro país a trabalho - e até mesmo sobre o signo de cada um. Descobriram que eram de Sagitário, nascidos no mesmo ano, com apenas seis dias de diferença. Carolina, não se aguentou. E em pensamento, concluiu:

_Ok, ok. Onde estão as câmeras? Já percebi que é pegadinha! Esse cara lindo e educado dando em cima de mim sem o menor pudor. Apareçam, gente da TV!

O voo, infelizmente curto para a Carolina, já ameaçava chegar ao final. E enquanto a prosa se prolongava, o avião fazia o pouso. Quando todos os passageiros já haviam se levantando, Pedro ainda sentado, perguntou:

_Posso te dar um beijo?

_Claro, amor! Óbvio! _pensou a outra, já ignorando o passageiro da fila ao lado, observando curioso todo o clima do casal recém-apresentado.

Não foi preciso responder. Ali mesmo, nas poltronas 21 e 22 da fila 25F, se beijaram como se não houvesse amanhã. “Só se vive uma vez!”, pensou a moça, em êxtase por toda a situação.

A aeromoça percebendo a cena, pigarreou. Cessaram o beijo de cinema, se alinharam e saíram da aeronave com as carinhas mais felizes! Caminharam lado a lado pelo saguão do aeroporto como dois seres distintos, e no final do percurso, o moço insistiu em deixá-la no destino. Ela recusou o convite, afinal já havia se arriscado demais até ali, e diga-se de passagem, sem arrependimentos.

Despediram-se trocando os contatos, e pelas redes sociais ela soube, dias depois, da chegada do moço a sua nova morada em Berlim. Na Alemanha ou no Brasil, ficaram as boas lembranças, acompanhadas de risadinhas, do crush bonito do avião que beijava tão bem!

Imagem: Reprodução



A melhor amiga da noiva


Eu vi o verdadeiro amor em um casamento ao ar livre, decorado com flores silvestres com vista para as montanhas. A noiva, com seu vestido de renda e uma rosa branca nos cabelos, entrou sorrindo  com olhar fixo para o noivo. O rapaz, igualmente feliz, a recebia com os olhos úmidos.

Disseram o sim, trocaram as alianças e se beijaram ao som de Singular. Na saída do casal, a noiva cruzou o olhar com uma moça. Ambas se olharam profundamente e com sorrisos que exibiam todos os dentes. 

Quando os noivos receberam os cumprimentos, essa mesma moça de sorriso largo, abraçou a noiva longamente e ambas choraram de emoção. O abraço apertado foi compartilhado com o marido. 

Percebendo a afetividade da cena, alguns perguntaram:

_Elas são irmãs? 
_Não. Ela é a amiga de infância da noiva

E foi quando eu percebi que havia visto o amor verdadeiro. 

O amor certificado pelos anos, (por quê não?!), mas o amor altruísta de quem trilha conosco a longa caminhada da vida, seja no primeiro dia de aula ou no velório do pai querido. 

O amor dos noivos, extremamente sincero, se fortalecia na amizade de infância da esposa, que encontrava na velha amiga o apoio fraterno, o silêncio consolador, o toque de "acorda!" ...

O sentimento nobre multiplicado nas pequenezas do dia a dia. O amor de duas amigas, no dia do casamento feliz de uma delas.

Imagem: Pixabay/CC


Dica de livro: As cem melhores crônicas brasileiras



A dica de leitura dessa semana é o livro “As cem melhores crônicas brasileiras”. Uma seleção feita pelo jornalista carioca Joaquim Ferreira dos Santos. Os textos estão divididos na publicação por décadas que começam em 1850 com o grande Machado de Assis e terminam nos anos 2000 com escritores como Danuza Leão e Arnaldo Jabor. É uma delícia de livro com crônicas primorosas que falam de diferentes assuntos, desde a beleza do cotidiano a situações engraçadas. Uma ótima dica para aqueles que desejam fazer da leitura um hábito já que você lê aos poucos e sem pressa para chegar ao final.

Confira o vídeo abaixo: